Setting no Teleatendimento

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Um dos pontos fundamentais para se estabelecer a relação de ajuda é a organização do setting. Sabemos que os espaços são organizados e definidos de acordo com a abordagem que utilizaremos com base nas necessidades e demandas do ajudado, bem como com o contexto e a política de cuidado em que estamos inseridos como trabalhadores.

Quando uma pessoa entra em um espaço terapêutico, sua percepção inicial é de que aquele espaço diz do próprio terapeuta. O setting, independente da abordagem, precisa trazer conforto e segurança. E esta segurança é interna e externa.

A segurança interna do paciente vem da capacidade que ele adquire, durante o atendimento com o terapeuta, de expor e trabalhar as próprias dificuldades e limitações; e a segurança interna do terapeuta vem do seu preparo para ajudá-lo nesta relação. Já a segurança externa está associada ao sigilo, proteção das informações do atendimento e postura do próprio terapeuta.

Então, como criar uma atmosfera de calor através do teleatendimento, que proteja o ajudado para que ele consiga se expor e cuidar de si?

Temos de pensar os dois espaços que constituem esse setting terapêutico. Um é o local onde estamos, e outro onde o paciente estará durante o encontro. Um ponto inicial é reduzir, ao máximo, as interferências externas em ambos os espaços. É possível, construir com o ajudado ou seu(s) mediador(es) a escolha do local em que este será atendido, de forma a oferecer privacidade, ou o mínimo de interferência possível, durante o atendimento? Para alguns pacientes que moram sozinhos, ou estariam sozinhos no horário combinado, essa privacidade já estaria garantida. Já para outros ela precisaria ser planejada em conjunto.

Dependendo das demandas do ajudado e da necessidade de organização do teleatendimento, pode ser necessário um contato prévio com a família ou cuidadores, para orientar quanto aos materiais e outros recursos disponíveis na casa do ajudado, caso seja possível o atendimento direto a ele (ela).

Rômulo, terapeuta ocupacional que atua em ambulatório particular de saúde mental, conta que “em casa, com duas crianças, também tive de me organizar e ajudar as minhas filhas a entender que naquele momento não poderiam entrar no espaço de atendimento. A mais velha criou uma placa e colocou na sua altura para que pudesse enxergar que não poderia entrar. No primeiro encontro alguns pacientes pediram para ver onde eu estava e pediram para eu apresentar o escritório com a câmera. Organizamos o setting, mas também estávamos entrando uns nas casas dos outros para cuidar de suas intimidades.

Outra colega conta que, em seu setting, na parede atrás dela, havia mandalas e um instrumento musical na parede, o que despertou curiosidades no ajudado e diversas perguntas em relação a ela e a decoração, desviando momentaneamente o foco do objetivo do atendimento.

Precisamos cuidar do significado para ao ajudado da transiçao do setting anterior para o atual devido ao teleatendimento

E, você, como tem sido sua experiência na organização do ‘setting’ de atendimento?


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